19. Como a autocompaixão transforma a relação com a autoestima feminina no mundo contemporâneo

Nosso senso de “eu” está intimamente identificado com o nosso corpo, o que faz com que a aparência física exerça um impacto profundo sobre como nos sentimos em relação a nós mesmas. Para as mulheres, essa questão é particularmente dolorosa porque os padrões da beleza feminina exigidos pelos conceitos “padrão” são inatingíveis, uma vez que somos únicos. Constantemente bombardeadas por uma cultura da escassez, baseada na vergonha e na comparação, que dita incessantemente que nunca somos perfeitas ou magras o bastante. Ao compararmos a nossa humanidade imperfeita com ideais artificiais que não existem na vida real, invalidamos a nós mesmas.

Nossas percepções de valor e autoestima são fortemente poluídas pelas redes sociais e pela mídia, que exibem um fluxo interminável de imagens de beleza fabricada. Diante da incapacidade de viver à altura desses ideais distorcidos, criamos um terreno fértil para a autodepreciação. Sem perceber, acumulamos uma aversão sutil ao próprio corpo porque ele não se assemelha às atrizes, às modelos ou aos padrões inatingíveis que consumimos diariamente.

A ilusão da autoestima contingente

A saída para esse ciclo de aversão não está em tentar inflar a autoestima. Na nossa cultura, a autoestima frequentemente exige que a pessoa se sinta especial, acima da média e melhor do que os outros para reconhecer o próprio valor. O grande problema dessa abordagem é que ela é frágil e contingente: a autoestima está à nossa disposição nos momentos em que nos sentimos atraentes, mas nos abandona no exato momento em que percebemos falhas, ganhamos peso ou encaramos o envelhecimento natural do corpo : o que é normal e natural.

A autocompaixão oferece um antídoto poderoso e estável, pois o seu senso de autovalorização não exige que você seja perfeita. Ela está menos condicionada à atratividade física e não depende de comparações sociais para existir. Em vez de tratar o próprio corpo como um adversário, este princípio nos ensina a acolhê-lo com gentileza, preservando o amor-próprio e construindo uma resiliência duradoura.

Os três elementos centrais da autocompaixão

A atenção plena (Mindfulness) consiste em observar a si mesma sem julgamentos e em ser compassiva com o que você sente. A prática ajuda a tomar consciência da aversão corporal e a neutralizá-la ativamente com o apreço e a bondade amorosa. Para promover essa aceitação e ajudar você a valorizar o corpo exatamente como ele é, a autocompaixão atua através de três elementos centrais:

  • Mindfulness (Atenção Plena): É a consciência da experiência no momento presente com aceitação. Trata-se de olhar para o próprio corpo e reconhecer de forma equilibrada as sensações de inadequação, sem minimizar a sua dor, mas reconhecendo os pontos fortes pessoais.
  • Humanidade compartilhada: É o reconhecimento de que todos os seres humanos são perfeitos, mesmo com suas imperfeições, e de que a insatisfação com a aparência é um sentimento comum, mas não precisamos ser reféns disso, e sim apoiar umas às outras com complacência.
  • Bondade e gentileza: Envolve tratar a si mesma com o mesmo cuidado, carinho e compreensão que você ofereceria a uma amiga querida que estivesse com dificuldades.

Quando mudamos essa perspectiva, passamos a celebrar o nosso corpo pela vitalidade e por tudo o que ele faz por nós, em vez de julgá-lo pela sua aparência. Percebemos que o nosso verdadeiro valor reside em sermos humanas e passamos a enxergar que principalmente os nossos recursos internos são a nossa maior fortaleza para lidar com essas comparações.

Prática e acolhimento

Se você deseja aprofundar o entendimento sobre a relação entre o seu corpo e as suas emoções, recomendo realizar gratuitamente o percurso Primeiros Passos em Mindfulness, para iniciar uma jornada prática e sair do piloto automático, aprendendo a reconhecer pensamentos e emoções antes que eles conduzam as suas escolhas de forma autodepreciativa.

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